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Alimentação a Bordo do Biguá

Resolvi escrever um post falando sobre como é a nossa alimentação e como cozinhamos a bordo. Temos algumas limitações em um veleiro. Apesar do Biguá ser um catamarã, e isso significar mais conforto para cozinhar e espaço para estocar comida, temos que cuidar muito bem para armazenar direitinho os alimentos, cuidar a validade, fazer um inventário de tudo o que temos, cuidar para não termos sobras, evitando assim o desperdício e acúmulo pois as geladeiras são pequenas ! Guardamos os alimentos já higienizados Somos (praticamente) quatro adultos.  E não comemos carne de nenhum tipo, exceto o Marcio que come carnes e derivados. Então, cozinhar em um veleiro, onde a disponibilidade de utensílios é limitada ,  requer criatividade e muita disposição: a gente tem só o essencial ,e o nosso maior luxo é um míxer ( acessório quase indispensável para quem não come carne e derivados e quer ter uma dieta mais balanceada ). Nossos cafés da manhã são bem va...

Ah...a Galícia!

Chegamos na Espanha no início de abril , navegando pelo mar Cantábrico. A primeira cidade que conhecemos, Gijón, uma das maiores do principado de Astúrias foi uma agradável surpresa, não só pela beleza natural e pela história do lugar, mas também por suas pessoas, que nos receberam tão bem.   Esse foi nosso primeiro contato (como velejadores) com a Espanha, e não poderia ter sido melhor. Árbol de la "Sidra" - monumento em homenagem à bebida típica da região Pórtico de Gijón Elogio del Horizonte - obra de Eduardo Chilli De lá seguimos para um porto pequeno, na Galícia: Camariñas. A surpresa foi ver o quanto o galego se aproxima do português. Outro lugar com uma natureza incrível e pessoas amáveis. Nos sentimos em casa. Sede do clube náutico em Camariñas Costa de La Muerte - famosa por seus naufrágios Marina em Camariñas - um porto seguro Mas nossa grande paixão foi Muros: Estamos há alguns dias atracados em Muros aguardando vent...

Atrás de uma botija de gás

Muitas pessoas  acham que viver a bordo de um veleiro navegando pelo mundo afora é uma vida de sonhos com águas cristalinas, lugares incríveis e drinks no cockpit. Realmente é. Mas não é só isso. Também envolve bastante trabalho e stress. Algumas coisas que em casa não significam nada aqui adquirem uma dimensão diferente. Por exemplo comprar gás. Temos dois botijões de três quilos a bordo. O compartimento do gás é bastante grande e caberiam botijões bem maiores do que esses. Entretanto, quando íamos comprá-los, lá na França, recebemos uma advertência de um velejador: " Comprem os de três quilos. Eles são padronizados em toda Europa e é muito fácil trocá-los". Pois assim o fizemos. Quando chegamos em Porto já estávamos com um deles vazio e decidimos que compraríamos outro cheio no dia seguinte. De manhã cedo saímos bem contentes carregando um liquinho pela marina em direção à loja náutica para comprar mais gás. Nada poderia ser mais simples. Ao entrarmos na loja a expre...

La Rochelle – Gijón

No domingo de Páscoa pela manhã finalmente saímos de La Rochelle em direção a Espanha. A cidade de La Rochelle é um paraíso para quem gosta de veleiros. Veleiro Joshua - de Bernard Moitessier Nunca tínhamos visto tantos barcos interessantes juntos.  Aliás, nunca tínhamos visto tantos barcos juntos! Mas estava na hora de avançar. O clima não estava dos mais hospitaleiros, com vários dias com temperaturas próximas a zero e alguns dias até mesmo com neve. Além disso toda a tripulação estava ansiosa para uma navegada mais longa. As janelas de tempo de mais de três dias simplesmente não estavam aparecendo, então decidimos seguir para Gijon na Espanha o que significaria uma velejada de umas 270 milhas que pretendíamos fazer em torno de quarenta e oito horas. E a velejada teve de tudo. Nas primeiras horas, depois da saída do porto o mar começou a levantar e a proa começou a enterrar nas ondas com um barulho forte. Em pouco tempo toda a tripula...

O Lagoon 42 ( até agora )

  por Márcio Machemer Estamos a bordo. Finalmente. É até difícil de acreditar. Há mais ou menos dois anos , quando esse modelo foi lançado na Europa, eu acompanhei através da internet e achei o barco muito bonito. Tanto que coloquei ele como protetor de tela do meu computador. Toda vez que eu usava o computador lá estava uma foto dele, bonitão, velejando a todo pano num mar azulzinho. Mas não passava disso. Nem imaginávamos que um dia esse barco seria nosso. A vida deu várias voltas. Desapegamos de muitas coisas. Assumimos vários riscos. E hoje escrevo do salão do Biguá, nosso Lagoon 42 novinho. Estamos com muito poucas milhas navegadas até agora. Testamos o barco e à nós mesmos somente algumas vezes, porque o tempo não tem ajudado muito. Estamos enfrentando o inverno europeu mais rigoroso dos últimos anos, com vários dias com temperaturas negativas e até mesmo neve, o que é bem raro no litoral francês. Nossa navegada mais longa até agora foi o trecho Les Sables...

Começo oficial da viagem

Depois de um mês inteiro sem postar nada, estamos de volta. Embarcamos no Biguá no dia 08/02, e desde este dia não paramos um minuto. O barco ainda não está pronto para fazermos nossa primeira travessia. Na verdade, não temos muita certeza de para onde nós vamos em seguida. Aí vai um resuminho do último mês: Saímos do Brasil no dia 23/01 à noite. Chegamos em Paris no dia 24 e fomos para o apartamento em Montmartre. Ficamos por 1 semana, e foi uma semana intensa para fazermos os principais pontos turísticos de Paris e o máximo de museus que nossos pés aguentassem. O próximo passo foi alugar um carro (grande) para irmos até a cidade de Tours, que fica mais ou menos na metade do caminho entre Paris e Le sables d'Olonne. Entregamos o apartamento ao meio dia, chovia muito e nossa programação era parar no Chateau de Versailles. Cumprimos o programa com chuva, vento, frio... e fomos até Tours - conselho: não alugue um carro grande se estiver indo para lá. As ruas são muito estreit...