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ENFIM, CARIBE

 Autor: Alessandra  Rodney bay - St Lúcia Chegamos oficialmente ao Caribe no dia 14 de dezembro de 2018. Após 21 dias velejando através do Oceano Atlântico, chegamos a Santa Lúcia, e nossa primeira parada em águas Caribenhas foi em Rodney Bay. Um misto de alegria e desapontamento, uma inesperada vontade de ficar mais tempo no mar... Para nós, essa viagem foi surpreendente em vários sentidos, nos sentimos tão conectados com o mar e uns com os outros, nossa rotina funcionava tão bem, que chegar foi incrível por termos conseguido concluir algo que por muito tempo foi apenas um sonho. Por outro lado, o Caribe que víamos agora se revelava algo bem diferente do que tínhamos imaginado. Não que tivéssemos criado grandes expectativas, mas as praias desertas com areia branca não estavam ali, e também não fazia o calor que eu esperava. Todos os dias eu precisava de um casaquinho e chovia bastante, o que dificultava bastante aproveitar passeios ou praias. Ok, ...

ROUPA SUJA NÃO SE LAVA EM CASA (Isso mesmo, este é um post falando sobre roupa suja, no sentido literal)

Autor: Márcio  A questão da lavanderia é mais uma dessas em que a vida real difere muito do que se imagina ou se vê nas revistas náuticas. O simples ato de lavar roupas quando se vive em um barco envolve uma complexa operação de logística e estratégia. E bem pouco glamour. Na nossa vida em terra aconteciam coisas estranhas: sempre que eu tomava banho e deixava as roupas sujas no banheiro, passavam-se alguns dias e essa mesma roupa aparecia misteriosamente limpa e dobrada dentro do meu armário. Nunca questionei esse interessante fenômeno mas, por algum motivo, tal fenômeno não acontece mais aqui no Biguá. Já fiz várias experiências, todas sem sucesso. As roupas sujas continuam se acumulando em uma sacola e nunca reaparecem limpas no armário. Isso gera uma grande necessidade de irmos a uma lavanderia. Alguns barcos hoje em dia até possuem lavadoras de roupa a bordo. O problema é que essas máquinas são grandes consumidoras de água doce e energia, duas coisas valio...

SOBRE VELEIROS E YOGA

Estamos morando em um barco há pouco mais de 1 ano. E quando começamos este projeto, uma coisa era bem importante: um barco onde eu tivesse como praticar yoga. Você que está lendo e nunca praticou, pode pensar que qualquer lugar serve. E é a mais pura verdade. Para praticar yoga é necessário ter um corpo.   Só isso.  E pode ser qualquer corpo.  Corpos de todas as formas, tamanho e idade servem. Mas eu queria praticar Ashtanga Yoga*, exatamente como fazia antes de entrar nessa vida. E desde o começo da viagem, em janeiro de 2018, mesmo antes de recebermos o barco e sem o meu tapetinho (que era muito grande e pesado demais para trazer e tive qie deixar no Brasil) comecei minha prática , em cada apartamento Airbnb que alugávamos. Pratiquei com frio, sem tapete,no escuro  Pratiquei de madrugada, e só em um dos apartamentos alugados não consegui praticar porque realmente não havia nenhum espaço disponível. Recebemos o barco. Agora eu tinha o lugar ...

TRAVESSIA DO OCEANO ATLÂNTICO

  Autor:Alessandra  No dia 25 de novembro de 2018, partimos de Las Palmas, em Gran Canaria em direção a Santa Lúcia, no Caribe. Uma navegada de 2.800 NM, a maior distância que percorremos sem paradas, até agora. Foram 20 dias no meio do mar, apenas nós 4: Márcio(48), Alessandra(46), Henrique(18) e Carolina(14). Um verdadeiro teste para  nossas habilidades como navegadores  e para nosso relacionamento como família. Nossa rotina diária consistia em revisar todos os cabos e estaiamento buscando por desgastes anormais,    manter um controle sobre a navegação e regulagem das velas , observar a quantidade de água consumida e produzir água sempre que necessário.  R evisar o estoque de frutas e legumes,  preparar as refeições,  ler, estudar (Carolina), praticar yoga (Ale) assistir algum filme que tínhamos baixado na Netflix, descansar o máximo possível durante o dia e fazer os turnos durante a noite. Já nos primeiros di...

DIÁRIO DE BORDO DO BIGUÁ: AUXÍLIO AO BARCO SEM MASTRO E O ENCONTRO COM A BALEIA

Autor: Márcio Logo pela manhã recebemos um chamado da ARC avisando que um veleiro estava em emergência. Tinham perdido o mastro, estavam com problemas no leme e não tinham combustível suficiente para seguir no motor até Santa Lúcia. Nós também estamos consumindo muito mais combustível do que o previsto.  Depois da perda do gerador tivemos que passar a carregar as baterias com o motor. Mesmo assim fizemos as contas e vimos que podíamos fornecer 100 litros a eles. Fizemos meia volta, contra o vento e com ondas de proa e começamos a procurar pelo barco com a última posição que a ARC havia nos fornecido. Tarefa complicada no mar. Não conseguíamos contato via rádio e o equipamento que fornece a posição deles foi arrancado junto com o mastro. Depois de várias horas nos aproximamos e conseguimos contato via rádio. A partir daí começamos a atualizar nossas posições constantemente. Mas ainda assim não conseguíamos avistar o barco. Apesar de ser um veleiro de 50 pés ...

ARC - ATLANTIC RALLY FOR CRUISERS

Autor: Alessandra  Saímos do Brasil com um roteiro pré definido. Tínhamos sonhos para realizar, que envolviam conhecer lugares, velejar pela Europa, pelo Caribe e cruzar um Oceano. Antes mesmo de começar nossa jornada lá na França, onde recebemos o Biguá, já estávamos inscritos para cruzar o Atlântico junto com a ARC. O Márcio há anos acompanhava o Rally e suas histórias. E estar junto com uma organização como essa nos levaria a um estado de maior segurança, uma vez que seríamos somente nós quatro no barco. Uma das perguntas mais frequentes é quanto custa participar da ARC: E escolhemos pagar esse valor em função de todo apoio e segurança. Um dos requisitos para participar  do Rally é ter chegado a Gran Canaria velejando. Não é necessário que toda a tripulação esteja a bordo nesse momento. Outra exigência é ter, no mínimo dois tripulantes no barco. Não é possível fazer o cruzamento em solitário. Eles são extremamente exigentes na questão equipamen...