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O Lagoon 42 ( até agora )

  por Márcio Machemer Estamos a bordo. Finalmente. É até difícil de acreditar. Há mais ou menos dois anos , quando esse modelo foi lançado na Europa, eu acompanhei através da internet e achei o barco muito bonito. Tanto que coloquei ele como protetor de tela do meu computador. Toda vez que eu usava o computador lá estava uma foto dele, bonitão, velejando a todo pano num mar azulzinho. Mas não passava disso. Nem imaginávamos que um dia esse barco seria nosso. A vida deu várias voltas. Desapegamos de muitas coisas. Assumimos vários riscos. E hoje escrevo do salão do Biguá, nosso Lagoon 42 novinho. Estamos com muito poucas milhas navegadas até agora. Testamos o barco e à nós mesmos somente algumas vezes, porque o tempo não tem ajudado muito. Estamos enfrentando o inverno europeu mais rigoroso dos últimos anos, com vários dias com temperaturas negativas e até mesmo neve, o que é bem raro no litoral francês. Nossa navegada mais longa até agora foi o trecho Les Sables...

Começo oficial da viagem

Depois de um mês inteiro sem postar nada, estamos de volta. Embarcamos no Biguá no dia 08/02, e desde este dia não paramos um minuto. O barco ainda não está pronto para fazermos nossa primeira travessia. Na verdade, não temos muita certeza de para onde nós vamos em seguida. Aí vai um resuminho do último mês: Saímos do Brasil no dia 23/01 à noite. Chegamos em Paris no dia 24 e fomos para o apartamento em Montmartre. Ficamos por 1 semana, e foi uma semana intensa para fazermos os principais pontos turísticos de Paris e o máximo de museus que nossos pés aguentassem. O próximo passo foi alugar um carro (grande) para irmos até a cidade de Tours, que fica mais ou menos na metade do caminho entre Paris e Le sables d'Olonne. Entregamos o apartamento ao meio dia, chovia muito e nossa programação era parar no Chateau de Versailles. Cumprimos o programa com chuva, vento, frio... e fomos até Tours - conselho: não alugue um carro grande se estiver indo para lá. As ruas são muito estreit...

Mudar

Outro dia, falando com um colega aviador com mais de sessenta anos, cabelos brancos e uma vida inteira dedicada ao voo sobre o nosso projeto de velejar em família por dois anos ouvi o seguinte comentário : - " Mas Comandante, fico surpreso com sua ideia. Dois anos abordo de um veleiro? Veja bem... Nós somos aviadores. O que temos que fazer é voar." Esse experiente piloto não falou isso com nenhuma maldade. Pelo contrário. O objetivo dele era me trazer de volta à realidade. Ou a lucidez. Essa era a realidade dele. Ora pilotos voam. Se somos pilotos é isso que devemos fazer. E ponto final. Mas será que é isso mesmo. Será que nessa vida só podemos ter um papel? Será que um piloto não pode decidir ser mergulhador, físico nuclear ou monge budista? Mais do que isso: o que é que somos realmente? Será que eu SOU um piloto? Isso é o meu eu? Ou será que o meu eu é algo que está em uma camada muito mais profunda, bem abaixo da escolha profissional e de muitas outr...

Pagando o barco...

Os últimos dias têm sido tensos. Pra dizer o mínimo. Finalmente chegou a data final para quitar o barco. Tínhamos pago apenas um sinal, portanto faltava pagar quase tudo. E pagamos hoje. E o desgraçado do euro não parou de subir. Já até havíamos desistido de acompanhar o câmbio diariamente uma vez que não tínhamos nenhum controle sobre ele mesmo. Só o que talvez nós conseguíssemos ganhar com isso é uma úlcera. Fizemos e refizemos os cálculos umas quatrocentas vezes e com o euro subindo todo dia eles sempre ficam mais justos. Além disso, a pessoa que iria alugar nossa casa desistiu na última hora. Só para acrescentar um pouco mais de drama e suspense à história. Tínhamos imaginado uma reserva que significaria nossa tranquilidade. Bom, acho que vamos ter que encontrar outra forma de ficarmos tranquilos. Talvez meditação seja uma boa. Pelo menos meditar é de graça. De qualquer forma, estamos sentindo um certo tipo de alivio. Foram meses sabendo que tínhamos essa d...

Best Multihull 2017

Nosso barco foi escolhido o melhor catamarã de 2017 na categoria abaixo de 50 pés pela revista Cruising World. Essa é uma publicação americana muito bem conceituada. Todos os anos eles fazem essa eleição que envolve diversas categorias e os resultados são bastante aguardados tanto pelo público quanto pela indústria em geral; É verdade que essas premiações internacionais as vezes envolvem alguns critérios meio subjetivos, de qualquer forma, é uma alegria para nós. Além disto ficamos mais tranquilos com relação a nossa escolha. Ainda bem, porque essa decisão de qual barco comprar nos queimou vários neurônios e nos deixou com alguns cabelos brancos a mais. https://www.cruisingworld.com/best-full-size-multihull-under-50-feet

Saindo do Brete

Em 2012 a empresa onde trabalho passou a oferecer licença não remunerada aos tripulantes. Esse era um desejo antigo meu. Há muito tempo vinha dizendo que se me fosse oferecida uma licença agarrava sem pensar. Até que ofereceram. Aí deu um medo danado - É aquela velha história do “cuidado com o que deseja...”. A decisão de aceitar a licença ou não ficou baseada em dois fatores:De um lado o coração e de outro o medo. O coração fala tudo aquilo que a gente lê nos livros e ouve nas músicas: 'A vida tem que ser vivida agora', 'arrependa-se do que fez e não do que não fez', 'viva o seu sonho!'  Já o medo tem o pé cravado no chão: E se a empresa não precisar mais de ti após a licença? E se a grana faltar? E se todo mundo achar que você é um vagabundo?  Bom, vencemos o medo. Eu tirei a licença e foi maravilhoso. Passamos quatro meses morando a bordo pela região de Ilha Grande e Paraty incluindo nisso a ida de Porto Alegre até lá e um retorno de Flo...

Despedida do Aruna

Lentamente, bem mais lenta, do que esperávamos, estávamos resolvendo o emaranhado de questões que envolvem uma viagem como a nossa. Um dos pontos mais importantes era a venda do nosso querido Aruna. Entretanto, em meio a uma enorme crise econômica e política, as propostas foram poucas e todas envolvendo trocas. E, uma vez que precisávamos  de dinheiro, não adiantava  nada ficarmos sem barco mas com uma cobertura em Capão da Canoa ou um loft no Morumbi. Nesse meio tempo, surgiu uma proposta do nosso amigo Germano da Wind Charter. O barco seria comprado pela Wind junto com outro investidor e passaria a ser utilizado nas operações de charter. Proposta feita, proposta aceita. Aproveitando umas folgas minhas e a semana de férias das crianças resolvemos sair para uma velejada de "despedida" do Aruna, uma vez que nos próximos quinze dias ele seria levado para Paraty. Dia quente para o inverno gaúcho, com céu azul e pouco vento e lá fomos nós para um pernoite na ...